O gado Nelore no Brasil - Boi Indicus x Boi Taurus

No Livro, “O Gado Indiano no Brasil”, de 1966, de Otávio Domingues, no trecho extraído das páginas 61 e 62, podemos verificar as diferenças que eram observadas naquela época ao comparar o “bos indicus” com o “bos taurus”:

O zebu deve ser considerado uma espécie distinta – o Boi dos trópicos

Distinta além disso pela sua morfologia e fisiologia, como se verá pelos seguintes fatos:

1. Melhor capacidade de auto regulação do calor corporal, quando submetidos às altas temperaturas, dos climas tropicais...

2. Boas condições de fertilidade, apesar do ambiente tropical quente. Nos trópicos, somente os touros das raças europeias mostram-se com menor capacidade reprodutiva, mormente no verão – como as vacas também não apresentam, como no seu clima de origem, uma regularidade de cio...

3. Há certa diferença na gestação, sendo esta mais longa em Bos indicus...

4. Sua alimentação no pasto é mais eficiente, pois tem a seu favor o fato de digerir melhor os alimentos mais grosseiros e não tem perturbada sua ruminação, no ambiente de alta temperatura, como acontece com o gado europeu, que tem sua ruminação paralisada quando a temperatura ultrapassa 32,2 ºC...o gado indiano requer 25% menos proteína e cerca de 20% menos calorias para se manter, do que o padrão dietético de Morrison para o gado europeu.

5. As raças tropicais apresentam mais glóbulos sanguíneos por milímetro cúbico de sangue do que aquelas dos climas temperados, além de seus glóbulos vermelhos serem menores.

6. Devido a possuir pelos curtos e aderentes a pele, e sempre untuosas pela abundância de secreção, de suas numerosas glândulas sudoríparas – resiste ou tolera o ectoparasitismo.

7. Possui maior quantidade de couro, que chega a apresentar dobras no pescoço, e estender pela barbela e umbigo (que se mostram bem desenvolvidos) além do maior número de glândulas sudoríparas, de que são providos os animais dessas raças – devido a isto tudo são elas capazes de mais facilmente dissiparem calor, do que o gado europeu; o que lhes permite não alterar sua respiração, nem sua temperatura corporal – como se dá com esse último.

8. Dispões de músculos subcutanenos que possibilitam a movimentação da pele, como os equinos, favorecendo a defesa contra os ectoparasitas.

9. Sua voz é característica, não muge como o taurino, o som que emite mais parece um bufo...

10. Quando em repouso sua cabeça fica numa posição típica; tem membros mais finos e fincados sobre os cascos, e ainda, cauda desenvolvida e adelgaçada para a extremidade livre, bem diferente das raças europeias.

11. Possui giba torácica...

12. O Zebu, durante o dia, sob a insolação intensa tropical, pasta mais tempo do que o gado europeu, que procura abrigar-se à sombra, diminuindo as horas de pastejo, este chega mesmo a pastar à noite...”

Todas as diferenças observadas entre os tipos de boi, demonstram de maneira clara, que o “bos indicus” é o mais indicado para criação no Brasil. Todas essas vantagens presentes na raça Nelore são fatores fundamentais para o sucesso da raça no país.


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